26/10/2010

A Chapada da Diamantina – pérola da Bahia



Montanhas, serras, rios, infinitas cachoeiras, fauna e flora exuberante – tudo isso faz da Chapada da Diamantina um lugar perfeito para o ecoturismo e um lugar que dificilmente conseguiremos apagar da nossa memória depois de ter visitado.
Situada na região serrana da Bahia onde nascem alguns dos principais rios da Bahia como o Paraguaçu, Jacuípe e Rio de Contas, a Chapada da Diamantina guarda muitos mistérios nas suas grutas e muitas histórias nas suas pequenas vilas e cidades. A mais conhecida será talvez Lençóis, que concentra em si as cachoeiras do Serrano, da Primavera e do Sossego, além de Ribeirão do Meio, um local que nos permite deslizar com a ajuda das águas puras que por aqui fluem. Apenas pernoitei uma noite em Lençóis, mais concretamente na Pousada São José, que tem um custo diário de 25 reais por quarto, com direito ao pequeno-almoço, ou café da manhã como eles chamam.

De Lençóis segui imediatamente para Palmeiras, a vila mais próximo do Vale do Capão, e última paragem com estrada alcatroada. Daqui são vinte e poucos quilómetros em estrada batida até ao Vale onde estão albergadas pessoas de todo o mundo, pessoas que querem ter um contacto mais próximo com a natureza, e que sobretudo têm consciência ecológica e vontade de coabitar harmoniosamente com o planeta Terra. Entre viajantes que foram ficando e nativos, o Vale do Capão tem uma média de 3.000 habitantes, mas a sua população pode duplicar em períodos de elevado turismo como é o caso dos meses que se seguem. Fiquei hospedada no Sempre Viva que tem pequenos bungalows para alugar e campismo. Optei pela segunda via e paguei apenas 7 reais por dia com direito a cozinha comunitária, diga-se de passagem um grande veículo de promoção social na medida em que se geram intercâmbios interessantes como o da uruguaia Paula que conhecemos a cozinhar e que acabamos por trazer para Arembepe na viagem de regresso. Cinco estrelas esta menina.

Bom seja como for, não falta o que fazer a partir do Vale do Capão. Existem trilhas longas e trilhas mais pequenas consoante os gostos. Para quem quer apenas tomar uns banhos e não andar muito sugiro a Cachoeira de Conceição dos Gatos, o Riachinho ou ainda a Cachoeira do Rio Preto. Se a vontade é de caminhar, então abre-se um leque de opções. As Águas Claras podem ser visitadas num dia, andando uma média de 4 a 5 horas (ida e volta). Aqui o cenário é lindo, montanha castanha a toda a volta e ali no meio um pequeno oásis verde de onde brota água formando pequenas cachoeiras.


Existem cobras de água, cobras terrestres, escorpiões, lagartos, mas a maioria são inofensivos. Ao lado das Águas Claras fica o Morro dos Cristais, conhecido pelos cristais que abundam no seu topo e que continuam a fazer as delícias dos visitantes. Sugiro ainda duas outras trilhas, mais longas, e que poderão exigir uma ou mais pernoitas em campismo: a ida à Cachoeira da Fumaça, actualmente sem água por causa da seca, e o Vale do Paty que poderá demorar até cinco dias a ser concluída, mas que actualmente tem uma grande parte ardida.

A Chapada da Diamantina é ponto obrigatório para quem visita a Bahia. Nela os amantes de rappel, escalada, cannoying, mountain bike e trekking encontrarão o paraíso. Para os mais comedidos será uma experiência quase espiritual de bem estar físico e emocional.

O Litoral Norte da Bahia

A Bahia conhecida pela sua gastronomia, pela sua boa disposição e sobretudo pelas suas belíssimas praias é hoje o destaque no meu blog Camomila ao vento.
Na verdade, são centenas de quilómetros de costa banhada pelo Oceano Atlântico Sul onde a areia branca se funde com o verde dos coqueiros e o azul do mar. Muitas destas praias mantêm-se virgens e quase não são frequentadas representando assim verdadeiros oásis para quem quer desfrutar do calor bahiano e da pureza destas águas.

Encontro-me em Guarajuba, uma das regiões do litoral norte bahiano bem próximo da badalada Praia do Forte onde o turismo é a principal fonte de subsistência. Percorrendo a costa para cima ou para baixo, muitas serão as praias com paragem obrigatória. Começo por destacar a Barra do Jacuípe, onde o rio do mesmo nome e o mar se encontram. É uma fusão extremamente bela e pacífica que recomendo. Com as mesmas características poderão encontrar a Praia de Imbassaí igualmente serena e de uma beleza inigualável. Ambas são maioritariamente frequentadas por locais, sobretudo durante os fins-de-semana o que representa um índice de poluição elevado porque infelizmente alguns brasileiros ainda não aprenderam regras de civismo básicas como não deitar lixo para o chão. Neste caso para a água.


Mas continuando a percorrer a costa surge à vista Arembepe. Famosa pela aldeia hippie que já aqui apresentei, esta vila tem uma praia que imediatamente antes se cruza com outro rio. Parece quase uma barragem natural que forma pequenas piscinas naturais de água quente, bem apetitosas para um banho a meio da tarde ou até mesmo da manhã. A própria aldeia hippie tem praia, mas o vento aqui acaba por ser desagradável, prova disso é que até os coqueiros já ganharam inclinação.

Sigo agora para a Praia do Forte, atracção turística pelas suas piscinas naturais, pela prática do surf e pela vasta oferta de produtos regionais como as caipirinhas de frutas, a água de coco, o caldo de cana, o acarajé, o queijo coalho assado com orégãos, ou ainda as cocadas – pequenas bolachas feitas a partir do côco. Esta praia, com excepção do excesso de visitantes, tem a vantagem de apresentar pequenas lagoas quando a maré está vaza permitindo-nos assim mergulhos em água morna ao mesmo tempo que se contacta de perto com a fauna e flora locais e se vislumbram até alguns corais. Cuidado, porque cortam.

Termino com uma das praias mais belas do litoral norte da Bahia, a Praia do Diogo. Para lá chegar é preciso atravessar uma pequena vila de terra avermelhada quente, percorrer uma ponte de madeira, subir pela areia branca que escalda e andar durante uns 15 minutos por entre as dunas debaixo de um sol abrasador. Pelo meio não se admirem se virem umas cobritas pequenas ou uns lagartos, eles têm mais medo que nós por isso prossigam o caminho. Quando a vegetação termina e aos nossos olhos se abre um horizonte azul esverdeado com ondas sabemos que a recompensa pelo esforço valeu a pena. Naturalmente pelo caminho que se tem de fazer para aqui chegar, a praia é quase deserta o que na minha opinião é ainda melhor.
Mantenham-se atentos às publicações da Camomila ao Vento. O próximo tema é Chapada da Diamantina.

08/10/2010

Morro de São Paulo…um oásis em plena selva urbana

Certamente muitos de vocês já ouviram falar no Morro de São Paulo e pelas melhores razões. Também eu já tinha ouvido falar muito e decidi experimentar por mim mesma a ver se tais elogios correspondiam à verdade ou se eram apenas marketing. Posso dizer-vos que superou em muito as minhas expectativas, o Morro é um sitio simplesmente maravilhoso, habitado por pessoas humildes, alegres, dispostas a ajudar e que querem viver a vida dia a dia.

Aqui reina uma tranquilidade única. É impossível nos sentirmos stressados porque não há horas para nada nem pressas. O Morro é uma ilha dividida em 5 praias principais. A primeira destinada ao surf, a segunda e terceiras com uma beleza natural de fascinar e as quarta e quinta praia são quase desertas pelo que são um cenário a não perder, embora me tenham avisado que durante a noite este local é muitas vezes refugio para uma noite de sexo selvagem entre habitantes locais e turistas. Vai-se lá saber porquê :P

Por falar em habitantes locais, aqui ninguém discute, todos se conhecem, todos se ajudam, e todos querem fazer do Morro um local a visitar novamente. Eu tive a sorte de encontrar o melhor guia turístico possível, o Gelluchi (espero não me ter enganado a escrever o nome hehe), e foi da forma mais natural possível. Basicamente ele estava a cantar uma música de capoeira que reconheci e cantei em conjunto. Este foi o mote para uma amizade que ali nasceu e que me fez subitamente conhecer todos os restantes habitantes da ilha, vivendo assim como uma nativa.

O Gelluchi é cozinheiro, esteve na Argentina a trabalhar e morar, e agora está de volta ao Morro. Este é normalmente o percurso dos habitantes, porque durante a época alta a ilha enche-se, mas em Julho e Agosto não há nada pra fazer e portanto é preciso encontrar recursos alternativos. Lembro que o Morro vive do turismo.
Durante a minha estadia, e graças ao Gelluchi que me apresentou a toda a gente deixando-me completamente à vontade, fui a uma festinha na Toca do Morcego, um local idílico de onde se tem um dos melhores nasceres do sol e uma das melhores vistas sobre a ilha. Estava tão feliz que até exagerei na dose de caipirinhas. Lol. No dia a seguir foi a vez de ir à inauguração do Bar One Love. Houve direito a festinha de reggae, e mais uma vez estive a sorrir permanentemente, porquê? Porque aqui é impossível não se ser feliz.

Tive imensa pena de ter que voltar embora, até porque recebi logo convites para ficar lá a dormir, e para jantar em casa não sei de quem, mas estava com amigos e tive de voltar para Guarajuba. De qualquer modo, o Morro é um local a voltar com 100% de certeza.
Obrigada a todos na ilha, obrigada pelo axé, pela vibe :)

Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa

Visitar o Brasil e não ir ao seu maior cartão-de-visita, o Rio de Janeiro, é quase pecado. Por isso, agarrei nas malas e fui num voo doméstico àquela que é considerada a cidade maravilhosa, cenário da generalidade das novelas que todos os dias imperam no prime-time da televisão portuguesa.

Instalei-me em Copacabana, uma das zonas mais turísticas do Brasil, de frente para o Calçadão onde todos os dias milhares de cariocas fazem o seu jogging para seguir a máxima do culto do corpo. De todas as idades, é vê-los correr, andar, passear de bicicleta, skate ou na praia a jogar futebol ou voleyball. Depois do exercício vem a tradicional água de coco para hidratar e nutrir. Também uma tigela de açaí é bem-vinda, afinal de contas é um alimento altamente completo e com um preço extremamente acessível. O calçadão percorre as melhores praias do Rio de Janeiro – Copacabana, Ipanema, Leblon entre outros e é sem dúvida um percurso a fazer até porque nos permite ter uma visão do quanto esta cidade é grandiosa.

Apesar do glamour normalmente associado ao Rio não esperem que esta cidade seja só riqueza, bem pelo contrário nela existem mais de duas favelas, o maior flagelo brasileiro, à qual se associam elevadas taxas de criminalidade. Na verdade, tive a oportunidade de ir almoçar à Favela da Rocinha e digo-vos se se limitarem à primeira fila de edifícios e se souberem comportar irão apreciar a visita e comer a melhor refeição a preços de chorar.

Mas o Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa, não duvidem. A sua riqueza natural e a beleza dos morros a rodear as praias tornam-na singular. A floresta da Tijuca que deu nome a um dos bairros mais in da cidade, a Barra da Tijuca, é densa, bela, perigosa e cheia de diversidade. Não deixem de visitar a Prainha, que fica depois da Barra. É uma praia quase deserta, apenas frequentada por surfistas e turistas, mas que vale a pena é linda. No interior da cidade ficam os marcos turísticos, nomeadamente o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor que naturalmente merecem visita especialmente pela vista que nos permitem ter da cidade. Dela conseguimos avistar o Sambódromo, o Estádio do Maracanã, a Lapa, entre outros. Por falar em Lapa, deixem-me deixar-vos uma sugestão. Se visitarem a cidade maravilhosa e se quiserem divertir não deixem de ir à Lapa, digamos que esta é a parte antiga da cidade mas que tem vindo a ser revitalizada ao longo dos anos, constituindo hoje um local de diversão, seguro e relativamente acessível. Aqui não falta bossanova, forro, samba, pagode e também outros estilos de música menos característicos.

Para fechar em chave de ouro, e se gostam de samba, experimentem uma aula nas escolas de Samba que se encontram espalhadas pela cidade, normalmente nos centros desportivos que ficam à entrada das favelas. É seguro lá irem, e vão ter uma experiência bem brasileira para mais tarde recordar.
Assim é a cidade que inspirou tantos músicos e que celebrizou a “Garota de Ipanema”.
Já com saudade…

25/09/2010

Bahia...terra de malandragem na capoeira

Olá fiéis leitores :P


Depois da minha passagem pelos Estados Unidos da América, surge agora no roteiro o país da malhação, do futebol, do samba, e da capoeira, o Brasil.
O estado por onde tenho estado é a Bahia, tropical no clima, pobre financeiramente, com muita influência portuguesa na arquitectura e na alimentação, e com capoeira em todas as esquinas. Assim é um dos maiores estados brasileiros, conhecido na história por ser o porto de muitos portugueses durante o período dos Descobrimentos.
Encontro-me hospedada na Quinta das Lagoas, em Guarajuba, situada no Litoral Norte da Bahia, a cerca de 80 kms da cidade de Salvador. Aqui reina uma paz anormal, o tempo passa devagar, não há frenesim de carros, não há música alta, apenas vegetação abundante e de quando em vez uma visita do reino animal hehe.

Mas perto de Guarajuba, fica a Praia do Forte. Turística é certo, esta pacata vila piscatória é um excelente sítio para viver a euforia bahiana, mas sem o risco de insegurança. Há capoeira, há sorvete, há caipirinha, e sempre MPB e Axé Music no rádio. Embora por agora esteja tudo muito calmo, porque estamos a iniciar a Primavera no Brasil, quando o tempo aquecer ainda mais esta pequena vila ganha vida própria e é gente a entrar e sair constantemente.

Igualmente perto da Praia do Forte e de Guarajuba fica a Aldeia Hippie de Arembepe. No passado esta vila teve milhares de habitantes, porque o movimento hippie era muito forte na década de 60, mas agora está limitada a umas dezenas de habitantes frequentes e alguns viagentes nómadas que ficam por lá umas semanas e depois seguem rumo a outras paragens. O principal meio de subsistência aqui é o artesanato e formas de expressão artística como a pintura, a escultura, etc. É um sitio com pessoas maravilhosas que a mim me deixaram tipo menina deslumbrada na Disneyland hehe.

Mais para sul fica a cidade de Salvador. Esta realidade é bem diferente do que falei até aqui. O trânsito é caótico, há imensas favelas, muita pobreza, muito lixo nas ruas, mas há também um encanto especial que me fez apaixonar pela cidade. Talvez seja o toque do berimbau que a todo o momento se ouve, talvez seja o facto de estar sempre a conhecer mestres de capoeira, praticantes e haver constantemente rodas de capoeira, pode ser que seja também a simplicidade das pessoas, o facto de me identificar com estas gentes e com esta alegria e positivismo. Não sei, o que sei é que Salvador é lindo e que quero explorar esta terra ao máximo.

Dividida entre parte baixa e alta, Salvador é abastecida pelo Elevador Lacerda que por 0,15 reais permite a deslocação de um lado para o outro. Em baixo fica o Mercado Modelo, onde todos os produtos artesanais e de gastronomia local estão à venda. Diria que este é o paraiso dos capoeiristas, porque há aqui de tudo à venda e no exterior há sempre rodinha para assistir e participar. Em cima fica o Terreiro de Jesus, o Pelourinho, a Escola de Mestre Bimba e o Museu de Jorge Amado, todos eles são sitios maravilhosos onde se respira a cultura bahiana. Não deixem de beber um chope (cerveja) gelado, uma caipirinha de fruta ou um suco natural. Aqui é tudo delicioso.
Nas próximas postagens falar-vos-ei de outros sitios por onde passei. Mas calma, aqui a net é a passo de caracol portanto vão deixando os vossos comentários e sugestões.
Beijinhos

06/09/2010

A experiência Burning Man

Antes de mais deixem que vos diga uma coisa…ter ido ao Burning Man foi a experiência mais transcendente da minha vida e sem duvida o ponto alto desta minha passagem pelos Estados Unidos. Considerado o maior festival de expressão artística no mundo, o Burning Man acontece anualmente no Black Rock Desert, Estado do Nevada, e é uma viagem que supera qualquer expectativa. As razões essas são muitas, mas de uma forma resumida tentarei partilhar convosco um pouquinho da filosofia deste encontro de culturas. Como muitos de vocês sabem durante o Burning Man não existe dinheiro, ou seja, a comunidade funciona tendo por base um sistema de troca directa. Acreditem que um simples facto como este faz toda a diferença. Ninguém vai a este festival para fazer dinheiro, as pessoas afastam-se do egoísmo e assumem uma postura de partilha total e absoluta. Têm sede, alguém vos dará de beber seja álcool, água ou sumos. Têm fome, há grupos que vos oferecem o pequeno-almoço, o jantar, o que quiserem. Precisam de luz para serem vistos no escuro, alguém vos oferecerá uma lanterna ou um reflector. Precisam de tomar banho, alguém vos dará banho. Até para vos cortar o cabelo há alguém disponível. É isto que faz o festival ser tão especial, mas há mais. A localização. As condições atmosféricas e geográficas em que o festival acontece tornam-no particularmente especial. A ideia de cada um ignorar o facto de estar todo sujo e ter em mente a racionalização da água conferem-lhe um carácter de selecção natural que de algum modo o impede de se tornar mainstream. Mas estar na playa, o centro do Burning Man, e sentir o vento a passar por nós, olhar à nossa volta e só ver montanha, acreditem é uma experiência aterradora.

Mas a lista de argumentos a favor do Burning Man continua por aqui fora. A multiculturalidade é algo surreal. Gente de todo o mundo reúne-se para um encontro de uma semana onde se espera que partilhem experiências, conhecimento, informação e onde se espera que possam ser aquilo que muitas vezes o mundo real não nos permite. Ir ao Burning Man faz-nos voltar a ter confiança na humanidade. É uma expressão forte, mas é verdade. Há um outro factor fundamental para o Burning Man ser o que é, a inexistência de contacto com o exterior. Telemóveis, internet, televisão, rádio, nada está ao alcance, como tal somos forçados a viver intensamente o presente e libertarmo-nos das correntes que normalmente nos fazem baloiçar entre o passado e o futuro. Estou ainda a viver o rescaldo do Burning Man e escrever sobre isso faz-me querer partilhar muita coisa, mas a verdade é que por mais que escreva dificilmente conseguirão ter uma ideia real do que é ir a este sitio especial e partilhar durante alguns dias esta noção de sociedade e de comunidade. Eu própria antes de ir vi imensos vídeos na internet e li imenso sobre o Burning Man mas jamais poderia imaginar que iria me apaixonar tanto pela mística do local, pelas pessoas, pelo espírito de unidade e partilha. Como alguém dizia por lá “a vida é boa, a vida é divertida, a vida é maravilhosa” e é isto que sentem quando estão lá. As fotografias que aqui partilho convosco são sobretudo de pessoas e isso deve-se a uma razão: o Burning Man não seria a mesma coisa sem as pessoas que aqui vêm e que querem dar um bocadinho de si sem esperar receber nada em troca.

Da Golden Gate Bridge à Castro District, apresento-vos San Francisco

A cidade de San Francisco é mítica, não há dúvidas. Foi inspiração para muitas músicas, é um local de culto no que toca ao movimento hippie, é uma cidade extremamente eclética, despreocupada e despida de preconceitos, e é capital dos gays nos Estados Unidos da América.
Conhecida pela Castro District, San Francisco alimenta a maior comunidade gay e lésbica da América e é um dos locais de referência para quem é fã da década de 60/70. Durante três dias estive de visita a esta cidade do oeste californiano e posso dizer que apesar do frio horrível que se faz sentir até durante o dia, esta pacata cidade junto ao mar é um dos sítios mais encantadores onde já tive. As pessoas são super simpáticas, facilmente se mete conversa com elas, e atracções é coisa que não falta.
A começar pelo Embarcadero Center onde diariamente há feirinhas de artesanato e podem conhecer artesãos locais, qualquer visita a San Francisco requer uma ida à ilha de Alcatraz. Durante anos esta foi a prisão que acolheu alguns dos mais perigosos criminosos da América e visitar este espaço é algo aterrador. Também a Golden Gate Bridge, de cor vermelha, é um ponto de referência, mas para a verem terão de ter sorte porque San Francisco é conhecida pelo nevoeiro intenso e se vos acontecer como a mim estarão por baixo da ponte mas não a conseguirão ver.

Passando à frente a Downtown de San Francisco, com muitos restaurantes, bares e lojas, sugiro que visitem o Golden Gate Park, com jardins muitos bonitos e alguns espaços de visita obrigatória como o Observatório de Flores. Terminando o parque, surge à vossa frente o Oceano Pacífico com todo o seu esplendor. Se tiverem oportunidade, visitem a House Cliff, junto ao mar, e bebam um dos deliciosos cocktails à vossa disposição.


Fiquei igualmente encantada com o Palace of Fine Arts, um edifício que está localizado no Presidio Park e que embora esteja em processo de recuperação é simplesmente angelical com imensos cisnes a nadar junto à entrada. Segue-se ainda a Lombard Street como marco a visitar. Como sabem , San Francisco é geograficamente irregular, com muitas colinas. Como tal, e no tempo em que os transportes ainda se faziam à base da força animal, decidiram que parte desta rua fosse feita aos s para aliviar a inclinação e permitir que os cavalos e outros animais na altura considerados de carga pudessem fazer o percurso sem resvalarem pela colina.

Muito haveria a dizer sobre San Francisco porque é uma cidade grande e cheia de coisas interessantes para se fazer e ver, mas como estou imbuída do espírito do Burning Man vou já passar a esse post hehe.

28/08/2010

A costa do pacífico - Califórnia

Na minha 6ª viagem de avião desde que iniciei esta aventura, desta feita a caminho da emblemática cidade de San Francisco, fui aconselhada a visitar algumas cidades costeiras mais pequenas mas cheias de carisma.
Assim fiz, agarrei a vontade de conhecer e através de um carro alugado segui em direcção a Santa Cruz, uma terra de surfistas conhecida no mapa por ter dado origem à marca O'Neill. Santa Cruz respira um espírito muito cool. É colorida, pertence à América não turística, tem mar, tem sol, e as pessoas vivem numa realidade bem mais pacata do que aquela que experimentei por exemplo em Los Angeles.

Há três pontos de inegável referência em Santa Cruz, a Downtown com os verdadeiros bares americanos e cercados de móteis pitorescos a preços bem acessíveis, a Lightouse District onde se encontram os bonitos faróis a entrar pelo mar dentro, e ainda o Mystery Spot, um local místico, interessante e que nos deixa a pensar. Devido a algum fenómeno natural, ainda não definido porque senão passaria a ser o Solved Spot, o Mystery Spot pelo qual é chamado, é um local cujo campo electromagnético difere do normal, pelo que a noção de gravidade se altera face aos nossos padrões normais. Não se admirem portanto se as fotos vos derem uma sensação de quase ilusão óptica. Garanto-vos que não é.

A viagem prosseguiu para Monterey Bay, uma pequena vila piscatória, que normalmente atrai gente de todo o mundo pelo facto de ser uma baía de onde podemos ver diferentes espécies de baleias, para além de leões marinhos, caravelas, cisnes, entre outros. Há também diversos parques, pequenos é certo, mas de onde podemos observar como se faz a vida na Califórnia.
O ponto imediatamente a seguir chama-se Carmel By the Sea e é sem dúvida um local com qualidade de vida para se viver. Nota-se por isso que parte da população habitante é volátil, na medida em que este será destino de férias. Destaco as casas, extremamente enquadradas na paisagem, em estílo rústico, feitas de madeira, com plantas a cobrir as paredes, são uma boa razão para as fotografarmos. O mais incrivel é que até as estações de gasolina não chocam com a paisagem. Até a tabela da indicação dos preços é feita em madeira. Brutal.

Deste cenário ilidico segui ao longo de quase 400 km até ao imponente Yosemite National Park. É de cortar a respiração. A mãe natureza aparece aqui ao seu mais alto nível e é quase impossível não sentir uma espiritiualidade crescente dentro de nós perante tamanha grandiosodade. Nunca me senti tão eu nesta viagem quanto aqui. O céu é completamente estrelado, a escuridão impera, os sons dos animais selvagens ouvem-se ao longe e a vontade que temos é de nos sentarmos numa rocha e meditar. Com mais de 3 mil km2 o Yosemite tem uma grande biodiversidade. Desde ursos, a linces, passando pelas águias, esquilos, veados, tudo parece conviver em harmonia.
Desta grande experiência ficam-me sobretudo as sequóias ou Big Trees como lhe chamam, são árvores lendárias, com séculos de existência que apetece abraçar; fica-me também o Yosemite Valey com os seus riachos e pequenos lagos, mas também por uma densidade de árvores que impossibilita a penetração do sol; e ainda o Glaciar Point cuja vista nos faz sentir minusculos. É contudo um local de profunda reflexão, de encontro connosco mesmo, de cura.

Estou a chegar a San Francisco, mais novidades sugirão nos próximos dias.

25/08/2010

Seattle - a cidade que quase não vê o sol

A decisão de ir a Seattle foi tomada um pouco em cima da hora e baseou-se em diversas referências que todos nós temos acerca da cidade, nomeadamente o facto de ser um pólo de aparecimento de grandes bandas como Nirvana, Pearl Jam ou Alice in Chains. Sendo eu uma amante da música, este já era um argumento mais que válido para lá ir, de qualquer modo a cidade maravilhou-me com o seu encanto natural.
Perto da fronteira com o Canáda, Seattle é fria, ventosa, chuvosa, depressiva, mas por alguma razão tem um encanto especial que até aqui nenhuma outra cidade americana teve.

Devido a uma confusão no booking do alojamento fiquei em Bellevue, que fica do outro lado do lago, sensivelmente a 20 minutos de autocarro do centro de Seatlle. Esta foi uma coincidência feliz porque efectivamente tive a oportunidade de vislumbrar uma das mais belas paisagens da cidade e que aqui partilho convosco. As casas com o seu próprio cais, a entrar pelo lago dentro, com uma atmosfera pacífica, propícia à leitura e a um estilo de vida introspectivo são sem dúvida uma lufada de ar fresco depois de visitar uma cidade apoteótica como Los Angeles.
Após cruzar o lago, e entrando na Chinatown International District, o ideal é apanhar o free bus 99 para o centro da cidade. Indo junto à costa, vemos dezenas de estrutras construídas em cima da água à qual chamam pier. Ver o pôr do sol a partir daqui é uma tentação para captar fotografias. A parte antiga da cidade, afastada da Downtown onde estão todos os museus e as atrações turísticas, é a mais bonita. Aí encontramos edíficios com uma arquitectura antiga, restaurantes típicos, pequenos bares, mas sobretudo a população local e os seus hábitos diários. É também aqui que encontram o Seattle Art Museum onde está agora patente a exposição do Kurt Cobain. Foi neste cenário mais underground onde esbarramos em desalojados e assistimos a pequenos concertos de jovens músicos que captei a essência da cidade.

E é fácil perceber porque resultaram daqui tantas bandas internacionalmente conhecidas como pertencentes ao movimento grunge. A cidade é depressiva o ano todo por causa do clima como tal a vida noctura é bem aproveitada e existem salas de concertos interessantes com público fidelizado que pode fazer a diferença. Destaco o 3rd Door e o Seven Studio para visitarem e beberem um pouco da vida social local.
Na Downtown estão as principais atracções como o Space Needle, o Experience Music Project, onde podem experimentar instrumentos, simular a gravação de um CD ou concerto e conhecer um pouco da cultura musical da cidade, e a International Fountain que é linda. Tem um enorme relvado à volta onde podem parar para lanchar e desfrutar de um bocadinho de sol.


Mas o meu post sobre Seattle não pode terminar sem referir o The Hemp Fest. Conhecido mundialmente por ser o maior festival a favor da legalização da marijuana, acontece anualmente no Elliot Park durante dois dias, gratuitamente, e junta milhares de pessoas. Aqui encontramos visitantes de todo o lado, uns vão apenas pela curiosidade, outros vão atrás de ideias, e outros vão apenas relaxar um pouco. Eu fiz um bocadinho dos três e ainda tive a vantagem de conhecer um casal de americanos, que vive numa autocaravana, e que me chamou a atenção por estar a fazer percussão. Claro está meti conversa e ao fim de uma hora a falarmos, fui convencida a ir a Santa Cruz, perto de San Francisco. Tive ainda o prazer de ir ao lar deste casal super simpático e naturalmente partilhar um joint com eles em homenagem ao Hemp Fest que nos proporcionou este conhecimento.

22/08/2010

Los Angeles - Uma mescla de culturas

Los Angeles é uma cidade a perder de vista que pertence ao estado da Califórnia e que poderia perfeitamente vir a ser a minha nova morada. Considerada a segunda maior cidade dos Estados Unidos, tem uma atmosfera única repleta de culturas, bem diferente da ideia que os filmes de Hollywood nos mostram.
A sua população é maioritariamente hispânica, aliás a generalidade das placas de informação aparecem escritas em inglês e espanhol, mas Los Angeles tem muito mais que isso. A mescla de etnias é uma coisa única. Asiáticos, hispânicos, europeus, nativos americanos, afro-americanos, todos eles se interligam dando a LA a sua maior virtude - a mistura de culturas.

Em LA optei pelo couchsurfing tendo ficado em casa da Eliana, uma couchsurfer da indonésia actualmente a viver e trabalhar nos Estados Unidos. Graças a ela tive a oportunidade de ir ao encontro de Couchsurfers o que me permitiu aproximar-me da população local e conhecer verdadeiras inspirações de viagens. É o caso do Sheen, que foi o meu guia turístico tendo-me proporcionado visitas a locais maravilhosos, não mencionados nos livros de turismo que naturalmente me iriam reenchaminhar para Beverly Hills e para os estúdios de Hollywood onde está o tão famoso Passeio da Fama com a estrelinha e o nome de cada actor conhecido.
O ponto de encontro foi a Praia de Santa Mónica, um universo muito Marés Vivas onde há de tudo, concertos, pistas de skate, parque de diversões, e muita gente sempre a passear de um lado para o outro. Ali perto fica a 3rd promenade, uma rua ao estilo Santa Catarina com imensas lojas e restaurantes, e onde todos os dias podem assistir a performances de artistas locais em busca das gorjetas dos turistas.

Sugiro que passem por aqui naturalmente, mas o ideal é visitarem a Downtown de Los Angeles. Diferente da maioria dos centros urbanos, porque não tem muita gente na rua nem muito trânsito, esta é uma zona onde podemos encontrar a Little Tokyo - uma área marcadamente japonesa com óptimos restaurantes, muito comércio tradicional e arquitectura oriental, a Chinatown que é já um clássico nos Estados Unidos mas que ainda assim tem pormenores muito interessantes de se vivitar, e, ainda, a conhecida Olvera Street que de repente nos transporta para o México.
A parte antiga da cidade tem também edíficios muito bonitos. Destaco o Bradbury Buiding, construído em 1893. Visto de fora parece muito vulgar, mas quando entramos é uma verdadeira surpresa. Aqui perto fica também o Central Market onde é possível experimentar diferentes aromas e sabores e sobretudo comer barato o que é importante porque como já disse os Estados Unidos no geral são caros. Um outro ponto a não perder é o Concert Hall, um edifício moderno e arrojado, que se destina a concertos de Jazz, World Music e música clássica.

Deixo o melhor para o fim, o Griffith Observatory. Fica no topo de uma montanha e é um observatório relativamente antigo onde podemos ter algumas lições de astronomia e ver através do telescópio o aspecto da superfície da Lua bem como Vénus. A cereja em cima do bolo é a percepção da dimensão de Los Angeles à noite, uma visão quase apocalíptica da imponência desta cidade. Recomendo!
Estou agora em Seattle, mas voltarei a Los Angeles na próxima semana e aí falarei mais um bocadinho.